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31/07/2026 09:17:36

Importar ou comprar no Brasil? Operação só compensa quando a conta fecha


Em masterclass da SP Chamber of Commerce da ACSP, especialistas em comércio exterior orientam pequenos empreendedores sobre como calcular impostos, despesas logísticas e margens para evitar prejuízos

 

Importar ou comprar no Brasil? Operação só compensa quando a conta fecha

IMAGEM: Freepik

O que compensa mais para o empresário brasileiro: importar um produto por exemplo da China, mesmo tendo que pagar impostos de importação, IPI e despachante, ou comprar de um fornecedor nacional? A resposta é: depende. Isso porque um produto vendido mais barato em outro país não necessariamente compensa mais do que um produto adquirido no mercado nacional.

Esse foi o assunto discutido na "Masterclass 360º - Importação do Jeito Certo", realizada nesta quarta-feira (29/07) pela SP Chamber of Commerce, braço de comércio exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com o objetivo de mostrar como calcular os custos e tributos da importação. A proposta foi demonstrar como avaliar a viabilidade da importação considerando todos os custos envolvidos, para verificar se a mercadoria importada realmente fica mais barata do que a adquirida no mercado nacional.

"Muitas vezes, as pessoas pensam que um produto na China é muito mais barato. Ok, a garrafa térmica no Brasil custa R$ 30 e, na China, R$ 5. Mas e os outros custos?", diz Maurício Manfré, assessor de negócios internacionais da SP Chamber of Commerce e conselheiro do CECIEx

Ele exemplifica: primeiro, é preciso considerar o custo de armazenagem dessa mercadoria na China, que é de cerca de R$ 2. Depois, o frete internacional de cada garrafa, que já chega a R$ 7, e a despesa com o despachante, de aproximadamente R$ 5 por unidade.

"Além disso, ainda há os impostos, que representam cerca de 70% da conta e praticamente dobram o preço, levando o custo para R$ 26. E ainda falta considerar a margem de lucro da operação, que acaba ficando em apenas R$ 4."

De acordo com Manfré, os empresários precisam analisar o preço de forma mais ampla antes de decidir pela importação, já que a viabilidade da operação depende não apenas do valor da mercadoria, mas também do volume negociado. Em muitos casos, importar grandes quantidades pode tornar a operação mais competitiva do que a compra de fornecedores nacionais.

"Por exemplo, um produto químico, como um insumo trazido da Ásia, pode custar até 60% menos do que encontramos aqui no Brasil. Mas, se eu não trouxer um volume de 40 toneladas, não vale a pena", afirma Manfré.

Para que uma mercadoria valha a pena ser importada, ela deve custar cerca de 20% do valor praticado na prateleira no Brasil. Além disso, muitos empresários não consideram as despesas logísticas internacionais, o fato de que os impostos são calculados em cascata, os demais custos da operação e os riscos financeiros, já que normalmente o fornecedor exige pagamento antecipado - o que pode prejudicar muitos empreendedores.

No momento da importação, é importante considerar o valor aduaneiro, que corresponde ao valor da mercadoria somado ao transporte e ao seguro. Sobre esse montante incidem o Imposto de Importação, o IPI, o PIS, a Cofins e o ICMS, taxa Siscomex, AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante), equivalente a cerca de 8% do valor do frete marítimo, além das taxas portuárias e aeroportuárias.

Também devem ser consideradas as despesas de armazenagem no Brasil, os serviços de despacho aduaneiro, o transporte nacional e eventuais certificações e testes exigidos para a mercadoria.

Outro ponto de atenção é que as empresas devem verificar as licenças exigidas pelos órgãos anuentes. Produtos como cosméticos, por exemplo, precisam de autorizações específicas para entrar no Brasil.

Além disso, é fundamental que o empresário esteja atento à logística internacional, como a escolha do frete, o tempo de trânsito da mercadoria e a rota utilizada. Isso porque é possível negociar um frete mais barato, mas com uma rota mais longa e maior tempo de transporte marítimo, o que pode afetar a lucratividade da operação.

Ao negociar o frete, também é importante definir o período em que o contêiner poderá permanecer no Brasil. O ideal é negociar cerca de 20 dias. Segundo Helber Minello, especialista em comércio exterior que ministrou a aula, muitos importadores conseguem apenas cinco dias e, caso a mercadoria não seja retirada nesse período, passam a pagar custos adicionais pela permanência do contêiner.

Para reduzir custos na importação

Existem algumas estratégias que podem ser adotadas para reduzir os custos da importação segundo os especialistas como o drawback, regime que suspende ou permite a restituição de tributos incidentes sobre a compra de insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à exportação. Dessa forma, o empresário deixa de pagar ou recupera parte dos impostos.

Estão contemplados nesse regime o Imposto de Importação, o PIS, a Cofins e o AFRMM (Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante). Assim, o benefício compensa os tributos pagos sobre a matéria-prima utilizada na fabricação do produto exportado.

Outra alternativa é o Ex-Tarifário, que reduz ou zera o Imposto de Importação para máquinas e equipamentos sem produção nacional equivalente. Nesses casos, o empresário precisa comprovar que não existe equipamento similar fabricado no Brasil e que sua utilização trará benefícios, como geração de empregos.

A análise do pedido pela Receita Federal pode levar cerca de 30 dias. O benefício também pode ser concedido quando o equipamento for destinado à locação para outras empresas.
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