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01/09/2026 09:25:39

Escala 5x2 pode aumentar o custo da folha. Entenda o que entra nessa conta


Redução da jornada pode exigir contratação, horas extras ou reorganização da operação

 

Escala 5x2 pode aumentar o custo da folha. Entenda o que entra nessa conta

 

A possível adoção de uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com dois dias de descanso, tem colocado uma dúvida importante para as empresas: quanto uma mudança para a escala 5x2 pode aumentar o custo da folha de pagamento? A resposta não cabe em um único percentual.

Segundo estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o fim da escala 6x1 elevaria em 7,84% o custo da mão de obra no país. A estimativa considera trabalhadores formais, contratados pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), e uma redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Na prática, porém, isso não significa que toda empresa terá um aumento de 7,84% na folha.

O impacto depende de como cada negócio vai compensar as horas que deixarão de ser trabalhadas: com contratação de funcionários, pagamento de horas extras, reorganização de turnos, redistribuição de tarefas, aumento de produtividade ou até mudança no horário de funcionamento.

“Esse impacto vai depender muito da operação. Há empresas que conseguirão reorganizar horários e processos sem aumentar o quadro. Outras, principalmente as que precisam manter funcionamento contínuo ou atendimento durante muitos dias e horários, poderão precisar contratar mais pessoas ou aumentar o volume de horas extras”, explica Marcel Zangiácomo, advogado trabalhista e sócio do escritório Galvão Villani, Navarro, Zangiácomo e Bardella Advogados.

5x2 aumenta o custo da hora trabalhada?

O primeiro efeito é matemático. Se o funcionário passa de 44 para 40 horas semanais, mas continua recebendo o mesmo salário, a empresa passa a pagar o mesmo valor por uma quantidade menor de horas trabalhadas.

Imagine, por exemplo, um funcionário que recebe R$ 2.500 por mês. Na jornada de 44 horas semanais, considerando o divisor de 220 horas mensais, cada hora trabalhada custa aproximadamente R$ 11,36.

Se a jornada cair para 40 horas semanais, com divisor de 200 horas e manutenção do salário de R$ 2.500, o custo da hora passa para R$ 12,50.

Isso representa um aumento de aproximadamente 10% no custo da hora trabalhada, mesmo sem qualquer aumento salarial.

Claudia Securato, advogada trabalhista e sócia do escritório Securato Advogadas, ressalta, porém, que esse aumento não deve ser confundido com um aumento automático de 10% na folha.

“O 7,84% é uma estimativa média para o custo do trabalho, mas não significa que toda empresa terá esse mesmo aumento na folha. Na prática, isso depende muito da atividade”, afirma.

A diferença está justamente no que a empresa fará com as horas que deixarão de ser trabalhadas.

Como organizar a escala?

O aumento do custo da hora trabalhada não significa, necessariamente, que a empresa terá de contratar novos funcionários. “Antes de pensar em novas contratações, a empresa pode reorganizar escalas, horários e processos e buscar ganhos de produtividade”, explica Claudia.

A contratação adicional tende a ser mais necessária em atividades nas quais existe uma quantidade mínima de pessoas que precisa estar presente durante todo o período de funcionamento, avalia Zangiácomo.

“Quanto mais a operação depender de presença física contínua, maior tende a ser a dificuldade de absorver a redução da jornada apenas com reorganização”, diz o advogado.

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