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04/09/2026 09:18:35

Entrega dos calçadões do Centro de SP deve acontecer em dezembro, mas esbarra em custos


Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, faz balanço das intervenções, explica dificuldades de nivelamento de bueiros da Enel e anuncia restauro na Praça do Patriarca e Viaduto do Chá

 

Entrega dos calçadões do Centro de SP deve acontecer em dezembro, mas esbarra em custos

 

As obras de revitalização do calçadão do Centro Histórico de São Paulo, que devem ser entregues no final deste ano, enfrentam entraves burocráticos e operacionais para a sua conclusão. Em entrevista ao Diário do Comércio, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, Marcos Monteiro, detalhou o andamento das intervenções no Triângulo e no Quadrilátero Histórico, além de anunciar novas obras no Viaduto do Chá e na Praça do Patriarca.

Iniciado em novembro de 2023, o pacote de revitalização do Triângulo Histórico, segundo Monteiro, esbarra agora no nivelamento das tampas de bueiro e galerias da concessionária de energia Enel. De acordo com o secretário, há cerca de um ano foi solicitado à companhia que rebaixasse as estruturas antigas para permitir o revestimento final do piso.

"A discussão é custo e quem assume essa conta. Não chegamos a um acordo há mais de um ano, e isso empata a entrega. A pressão agora é maior porque o prazo final das ruas internas é dezembro deste ano", afirmou o secretário.

Procurada pela reportagem, a Enel não respondeu aos questionamentos sobre o andamento dos trabalhos nem sobre as medidas para evitar novos impactos no cronograma das obras municipais.

Além desses entraves, outros pontos no triângulo histórico precisam ser alinhados para a entrega do projeto. No mobiliário urbano, o secretário diz ter a rua Álvares Penteado como teste. O local foi equipado com bancos, vasos e lixeiras há seis meses, sem registros de vandalismo. O foco agora, segundo o secretário, é avaliar a durabilidade do material exposto ao tempo antes de expandir o projeto.

O paisagismo também sofreu alterações desde o projeto original - floreiras foram substituídas por mudas plantadas diretamente no solo. O novo modelo de piso e plantio será replicado na Rua XV de Novembro e vias mais largas, respeitando o traçado das galerias pluviais. Além disso, os achados arqueológicos nas ruas José Bonifácio e XV de Novembro já foram catalogados e receberão musealização no local. Além das vias internas, as ruas Boa Vista e Libero Badaró também passarão por repaginação, diz Monteiro.

A reforma contempla também a instalação de valas técnicas e drenagem, nova iluminação funcional e cênica de edifícios históricos, instalação de câmeras, reformulação da sinalização turística - com 14 totens com informações em português e inglês -, troca de mobiliário urbano e melhorias na acessibilidade das ruas da região.

Obras no Quadrilátero

Com investimento de R$ 37 milhões, as intervenções no Quadrilátero - que abrange 12 ruas e 8 mil metros quadrados entre o Teatro Municipal e a Praça da República - começaram em julho de 2025 e têm entrega prevista para julho de 2027.

Nas palavras de Monteiro, a gestão precisou lidar com a resistência inicial de comerciantes locais, traumatizados por uma intervenção mal-sucedida realizada em 2011/2012 na gestão de Fernando Haddad, então prefeito. Ele aponta que, na época, a reforma tentou reformular a área utilizando tecnologias que resultaram no afundamento do piso.

"Ali (Quadrilátero), a recuperação do piso tem sido mais tranquila e agora estamos ajustando o acabamento de grelhas de concreto instaladas para captação de água da chuva, que apresentaram problemas técnicos."

Diferentemente do Triângulo, Monteiro diz que o Quadrilátero registrou apenas um sítio arqueológico (na Rua Conselheiro Crispiniano), o que acelerou o ritmo dos trabalhos. 

Outra atualização, segundo o secretário, é que a Prefeitura entrou na fase final do processo licitatório para a restauração do Viaduto do Chá, um dos cartões-postais mais icônicos do centro histórico paulistano, com expectativa de início dos trabalhos ainda neste ano. O foco central da intervenção é solucionar definitivamente os problemas crônicos de infiltração de água. Para isso, todo o pavimento do viaduto será completamente removido, permitindo a reconstrução integral da camada de impermeabilização.

A medida, segundo Monteiro, é fundamental para estancar os vazamentos que atingem a Galeria Prestes Maia - localizada no subsolo do viaduto -, preservando a infraestrutura do local e garantindo a segurança e o conforto dos milhares de passageiros que circulam diariamente pelo acesso à Estação Anhangabaú do Metrô (Linha 3-Vermelha).

Paralelamente, o projeto de intervenção contempla melhorias significativas na Praça do Patriarca. A cobertura instalada na praça - obra concebida pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha - passará por uma revitalização completa em seu sistema de drenagem e captação de águas da chuva, combatendo o desgaste do tempo na estrutura.

No entorno, Monteiro aponta que as equipes realizarão a restauração do pavimento tradicional para recuperar o mosaico de pedras portuguesas, preservando integralmente a padronagem e a identidade arquitetônica original do espaço.



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