Marcos Monteiro, secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, faz balanço das intervenções, explica dificuldades de nivelamento de bueiros da Enel e anuncia restauro na Praça do Patriarca e Viaduto do Chá

As obras de revitalização do calçadão do Centro Histórico de São Paulo, que devem ser entregues no final deste ano, enfrentam entraves burocráticos e operacionais para a sua conclusão. Em entrevista ao Diário do Comércio, o secretário municipal de Infraestrutura Urbana e Obras de São Paulo, Marcos Monteiro, detalhou o andamento das intervenções no Triângulo e no Quadrilátero Histórico, além de anunciar novas obras no Viaduto do Chá e na Praça do Patriarca.
Iniciado em novembro de 2023, o pacote de revitalização do Triângulo Histórico, segundo Monteiro, esbarra agora no nivelamento das tampas de bueiro e galerias da concessionária de energia Enel. De acordo com o secretário, há cerca de um ano foi solicitado à companhia que rebaixasse as estruturas antigas para permitir o revestimento final do piso.
"A discussão é custo e quem assume essa conta. Não chegamos a um acordo há mais de um ano, e isso empata a entrega. A pressão agora é maior porque o prazo final das ruas internas é dezembro deste ano", afirmou o secretário.
Procurada pela reportagem, a Enel não respondeu aos questionamentos sobre o andamento dos trabalhos nem sobre as medidas para evitar novos impactos no cronograma das obras municipais.
Além desses entraves, outros pontos no triângulo histórico precisam ser alinhados para a entrega do projeto. No mobiliário urbano, o secretário diz ter a rua Álvares Penteado como teste. O local foi equipado com bancos, vasos e lixeiras há seis meses, sem registros de vandalismo. O foco agora, segundo o secretário, é avaliar a durabilidade do material exposto ao tempo antes de expandir o projeto.
O paisagismo também sofreu alterações desde o projeto original - floreiras foram substituídas por mudas plantadas diretamente no solo. O novo modelo de piso e plantio será replicado na Rua XV de Novembro e vias mais largas, respeitando o traçado das galerias pluviais. Além disso, os achados arqueológicos nas ruas José Bonifácio e XV de Novembro já foram catalogados e receberão musealização no local. Além das vias internas, as ruas Boa Vista e Libero Badaró também passarão por repaginação, diz Monteiro.
A reforma contempla também a instalação de valas técnicas e drenagem, nova iluminação funcional e cênica de edifícios históricos, instalação de câmeras, reformulação da sinalização turística - com 14 totens com informações em português e inglês -, troca de mobiliário urbano e melhorias na acessibilidade das ruas da região.
Obras no Quadrilátero
Com investimento de R$ 37 milhões, as intervenções no Quadrilátero - que abrange 12 ruas e 8 mil metros quadrados entre o Teatro Municipal e a Praça da República - começaram em julho de 2025 e têm entrega prevista para julho de 2027.
Nas palavras de Monteiro, a gestão precisou lidar com a resistência inicial de comerciantes locais, traumatizados por uma intervenção mal-sucedida realizada em 2011/2012 na gestão de Fernando Haddad, então prefeito. Ele aponta que, na época, a reforma tentou reformular a área utilizando tecnologias que resultaram no afundamento do piso.
"Ali (Quadrilátero), a recuperação do piso tem sido mais tranquila e agora estamos ajustando o acabamento de grelhas de concreto instaladas para captação de água da chuva, que apresentaram problemas técnicos."
Diferentemente do Triângulo, Monteiro diz que o Quadrilátero registrou apenas um sítio arqueológico (na Rua Conselheiro Crispiniano), o que acelerou o ritmo dos trabalhos.
Outra atualização, segundo o secretário, é que a Prefeitura entrou na fase final do processo licitatório para a restauração do Viaduto do Chá, um dos cartões-postais mais icônicos do centro histórico paulistano, com expectativa de início dos trabalhos ainda neste ano. O foco central da intervenção é solucionar definitivamente os problemas crônicos de infiltração de água. Para isso, todo o pavimento do viaduto será completamente removido, permitindo a reconstrução integral da camada de impermeabilização.
A medida, segundo Monteiro, é fundamental para estancar os vazamentos que atingem a Galeria Prestes Maia - localizada no subsolo do viaduto -, preservando a infraestrutura do local e garantindo a segurança e o conforto dos milhares de passageiros que circulam diariamente pelo acesso à Estação Anhangabaú do Metrô (Linha 3-Vermelha).
Paralelamente, o projeto de intervenção contempla melhorias significativas na Praça do Patriarca. A cobertura instalada na praça - obra concebida pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha - passará por uma revitalização completa em seu sistema de drenagem e captação de águas da chuva, combatendo o desgaste do tempo na estrutura.
No entorno, Monteiro aponta que as equipes realizarão a restauração do pavimento tradicional para recuperar o mosaico de pedras portuguesas, preservando integralmente a padronagem e a identidade arquitetônica original do espaço.