AliExpress, Temu, Shopee e TikTok Shop ampliam espaço para vendedores locais e reforçam estoque e logística no país em uma nova fase da briga pelo consumidor

A disputa dos marketplaces asiáticos pelo consumidor brasileiro entrou em uma nova fase. Depois de conquistarem espaço no Brasil, principalmente com produtos importados, preços competitivos e entregas internacionais, plataformas como AliExpress, Temu, Shopee e TikTok Shop passaram a ampliar a base de vendedores brasileiros e a oferta de produtos com estoque nacional.
O movimento também envolve a criação de estruturas capazes de reduzir o intervalo entre a compra e a entrega, ampliando a competição no comércio eletrônico e criando novas oportunidades para pequenos empreendedores.”
As plataformas não disputam mais apenas a atenção do consumidor, mas também os lojistas, o estoque, a infraestrutura logística e os espaços em centros de distribuição.
Um levantamento recente da Klavi, em parceria com a EY, mostra o tamanho dessa transformação. AliExpress, Shopee, Shein, Temu, TikTok Shop e Kwai Shop já concentram 78% do volume de buscas relacionadas ao varejo digital no Brasil. Já Amazon, Mercado Livre, Magazine Luiza, Casas Bahia e Americanas respondem pelos 22% restantes.
A proporção também mudou ao longo do último ano analisado. Os varejistas tradicionais passaram de 67,5% para 58%, enquanto os players asiáticos avançaram de 32% para 41,5%, segundo a pesquisa.
Presença estratégica
Com tamanha concentração da atenção do consumidor, estar presente nessas plataformas passou a ser estratégico para o comerciante brasileiro. É justamente nesse mercado que os marketplaces de origem asiática tentam ampliar suas bases de vendedores nacionais.
É o caso de Rodrigo Oliveira, 37 anos, dono da Allianz Comércio, que vende há um ano seus produtos de higiene bucal na Shopee, no Mercado Livre e na Amazon.
Essas plataformas, na opinião dele, ganharam importância para os negócios, especialmente depois da pandemia, quando muitas lojas físicas migraram para o comércio eletrônico em busca de menor custo e mais agilidade.
Apesar da presença em diferentes marketplaces, os resultados de sua loja são distintos. “O Mercado Livre responde atualmente pela maior parte das minhas vendas, com um volume cerca de três vezes superior ao registrado na Shopee”, conta.
Segundo ele, a escolha de onde vender não depende de um único fator. Comissão, frete, prazo de entrega, fluxo de consumidores e qualidade da operação precisam ser avaliados em conjunto.
“O Mercado Livre tem as maiores taxas, porém, tem o maior fluxo de compradores, e melhor suporte e serviço, então compensa pagar uma taxa maior”, conta Oliveira.
Nacionalização
A mudança representa uma evolução na estratégia dessas plataformas no Brasil. Segundo Briza Bueno, diretora do AliExpress no Brasil, a plataforma tem registrado aumento da participação de vendedores brasileiros.
“A parceria com o Magalu é um exemplo desse movimento, assim como outras iniciativas com grandes vendedores do país.”
Atualmente, há vendedores de diferentes portes na plataforma, e o foco da companhia está em fortalecer e ampliar a oferta de produtos que já estejam no Brasil para atender aos consumidores.
Esse movimento ocorre em meio ao aumento da competição entre os marketplaces pela atenção não apenas dos consumidores, mas também dos comerciantes.
Questionada sobre o avanço de plataformas como Temu e TikTok Shop e a disputa por vendedores nacionais, Briza afirma que ainda há espaço para diferentes empresas crescerem no país.
“Dependendo do estudo considerado, o comércio eletrônico representa atualmente algo entre 10% e 15% do varejo total no Brasil, enquanto em mercados mais maduros, como a China, essa participação supera 50%”, diz Briza.