
O TST (Tribunal Superior do Trabalho) decidiu nesta segunda-feira (21) adiar o julgamento do dissídio coletivo de greve dos Correios e deu um prazo de 48 horas para que as federações dos trabalhadores se manifestem sobre documentos apresentados pela empresa no processo.
Segundo os Correios, o material comprovaria a suposta abusividade da paralisação.
A decisão de interromper o julgamento foi tomada pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho. Segundo ele, os documentos, que incluem relatos e vídeos de trabalhadores dos Correios bloqueando a entrada e a saída de cargas e caminhões, foram anexados ao processo na noite de sexta-feira (18) e no sábado (19).
Os funcionários dos Correios entraram greve por tempo indeterminado no último dia 10 de setembro. A decisão foi aprovada durante assembleias realizadas pela Findect (Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares) em diversas regiões do país.
Segundo a Findect, a greve marca uma nova etapa da campanha salarial, após as negociações terminarem sem acordo.
Segundo a entidade, um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde dos trabalhadores. Os Correios propuseram alterar sua condição de mantenedora do plano, isto é, a responsável por prover os recursos financeiros, administrativos e estruturais para o funcionamento do benefício.
"Com a greve deflagrada, o momento agora é de ampliar a mobilização, fortalecer a organização nas unidades e cobrar uma resposta da direção dos Correios e do governo federal. A categoria exige uma proposta que preserve direitos, proteja o plano de saúde e respeite quem mantém a empresa funcionando diariamente em todo o Brasil", diz a entidade em nota.
No último dia 10, o Tribunal Superior do Trabalho reuniu representantes dos Correios e das federações sindicais Fentect e Findect em tentativa de acordo por meio da mediação. Mesmo com a manutenção de 78 das 80 cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho e da recomposição da inflação sobre salários e benefícios, não houve consenso.